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05/03/2018 - 10:30

Uma ampla Ação de Cidadania abriu no sábado (3) a programação do governo do Estado alusiva ao Dia Internacional da Mulher – 8 de Março. Com o tema “Protagonismo Feminino nos Espaços de Decisão”, a ação foi realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. José Márcio Ayres, no Tapanã, em Belém, com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a atuação da figura feminina nos espaços de decisão, despertando nas mulheres a necessidade de ocupar cargos importantes em toda a sociedade.

A ação reuniu na Escola Estadual Dr. José Márcio Ayres representantes de 22 escolas dos bairros do Bengui, Tapanã e Parque Verde, atendendo cerca de 1.500 pessoas. O público teve acesso à emissão de documentos, procedimentos estéticos, palestra, atendimento sobre variados tipos de violência contra a mulher, distribuição de material informativo, vacinação e testes rápidos para Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e outras patologias, além de atrações culturais.

As ações são coordenadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), em parceria com a Fundação Pro Paz, Polícia Civil, Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC), Comitê Gestor do Plano de Ações Integradas à Pessoa com Deficiência, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Fundação Cultural do Pará (FCP), Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PA).

Temática - “As mulheres devem ocupar mais espaços de decisões porque essas decisões representam escolhas para as nossas vidas, e nós somos 51% da população. Por isso, nós precisamos opinar mais, precisamos dividir essa fala junto com os homens”, explicou Maria Trindade, coordenadora de Integração de Políticas para as Mulheres, da Sejudh, sobre a escolha do tema.

Ainda segundo a coordenadora, independentemente de o tema estar ligado à repressão da figura feminina nas tomadas de decisão, a ação também busca despertar nas mulheres a coragem para enfrentar a violência. Maria Trindade disse que o Pará vem conseguindo, nos últimos anos, diminuir os índices de violência. “Em 2011 o Pará ocupava o segundo lugar no ranking da violência contra a mulher. Em 2014, nós passamos para o quinto lugar, hoje ocupamos a décima posição desse ranking nacional e estamos lutando diariamente para chegar ao último lugar”, afirmou.

A redução das ocorrências de violência contra mulheres se deve, principalmente, à conscientização sobre o assunto, discutido em todos os segmentos sociais. Na Escola Dr. José Márcio Ayres, por exemplo, os alunos aprendem a importância das leis que protegem as mulheres, como a Lei Maria da Penha, de 2006.

A gestora da Unidade Seduc na Escola (USE 9), Débora Ferreira, acompanhou as atividades pedagógicas no evento. "O Dia D da Mulher transcorre no dia 8 de março, mas aqui na USE 9 é hoje, porque a campanha foi acolhida pelos estudantes, professores e pais de alunos, pela comunidade na programação na escola", afirmou.

Orientação - Entre as ações realizadas pela Fundação Pro Paz no evento, uma das principais foi a emissão de documentos, como carteira de identidade, CPF, ID Jovem, documento com nome social e certidão de nascimento, além do atendimento jurídico. A presidente da Fundação Pro Paz, Mônica Altman, disse que a programação também “visou fazer o acompanhamento com assistentes sociais e psicólogas, orientando sobre como a mulher deve procurar os serviços do Pro Paz Mulher”.

Mônica Altman informou, ainda, que “ao chegar para ser atendida, a vítima conta com atendimento psicológico, atendimento na delegacia, atendimento judiciário e, se precisar de perícia, ela faz. Todos os serviços ela vai encontrar lá. Após o atendimento, há o acompanhamento para essa mulher e sua família, se necessário, porque o nosso objetivo é empoderar essa mulher e atendê-la em todos os seus direitos”.

Relatos - Quando o assunto é violência contra a mulher não faltam histórias, que vão do assédio moral à violência física, passando pela violência psicológica. A microempresária Jane Souza conviveu com o agressor dentro de casa, e hoje ensina suas filhas a não se submeterem à violência.

“Assim como minha mãe, eu casei cedo e engravidei cedo. Após algum tempo, vieram as dificuldades, e com elas a violência, até chegar o tempo que eu não suportei mais as agressões psicológicas e resolvi mudar a minha história. Me livrei disso, dei a volta por cima. Hoje sou microempresária do ramo de limpeza, e ensino às minhas filhas que elas também podem ser o que quiserem, e principalmente não deixarem que ninguém pise nelas, como tentaram fazer comigo”, contou Jane.

Saúde - A Sespa ofereceu avaliação nutricional, verificação da pressão arterial e testagem rápida para HIV, sífilis e hepatite C, além de orientações específicas para as mulheres. A coordenadora de Saúde da Mulher da Sespa, Gabriela Góes, destacou a importância da presença feminina na ação, afirmando que o evento “é muito oportuno, ainda mais dentro de uma escola, porque esse conhecimento sobre a importância com a saúde da mulher tem que ser construído desde o ser humano pequeno, e ser conservado ao longo da vida da adolescente e da mulher adulta”.

Durante a manhã houve vasta programação cultural, incluindo apresentações dos alunos das escolas envolvidas nas atividades, da Banda do Corpo de Bombeiros e do personagem Epaminondas Gustavo, criado pelo juiz de Direito Claudio Rendeiro, do Tribunal de Justiça do Pará, que ressaltou a importância do seu trabalho no combate a qualquer tipo de violência. "Hoje, o Epaminondas está aqui pra trabalhar o empoderamento feminino e o combate à violência contra a mulher. E é muito interessante esse trabalho, porque, além de ser uma forma de aproximar o Poder Judiciário da população, também é uma maneira de levar, pedagogicamente, o conhecimento a respeito da violência contra a mulher para toda a sociedade, independente da classe. É através do humor que o Epaminondas consegue passar a mensagem. Isso é uma ação de cidadania", afirmou o juiz.

Resumo: 
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